À procura de Eric, filme de abertura da efervescente Mostra de São Paulo 2009, é mais um longa sutil da dupla Ken Loach (diretor) e Paul Laverty (roteirista), cuja obra-prima - o drama político Ventos da Liberdade (2006) - foi laureada em Cannes com a Palma de Ouro há três anos. Já 500 dias com ela, de Marc Webb, teve grande destaque no Festival do Rio deste ano e sua primeira sessão contou, inclusive, com a visita do diretor à Cidade Maravilhosa. Tida como uma comédia romântica enraizada no cult e provida de uma trilha sonora que merece mais destaque do que o próprio filme (veja a lista de músicas), a estreia de Webb no cinema se empenha em transgredir os limites estabelecidos para o referido gênero cinematográfico, o que consegue sem a necessidade de apelos ou exageros.
A simplicidade narrativa é o ponto em comum entre as duas produções, cada qual estruturada a partir das particularidades de seu respectivo diretor - um veterano e um estreante. Ambos os filmes entram em cartaz nesta sexta-feira, 5 de novembro, nos cinemas de todo o Brasil. A lista de estreias tem ainda Código de Conduta, de F. Gary Gray; Fama, de Alan Parker; Os fantasmas de Scrooge, de Robert Zemeckis; Jogos Mortais VI, de Kevin Greutert; Um Lobisomem na Amazônia, de Ivan Cardoso; e O Solista, de Joe Wright. Veja os trailers no próximo post.
O eterno camisa 7 do Manchester United encarna a ele próprio em uma comédia sublime, cujo personagem principal também se chama Eric (o carteiro Eric Bishop, interpretado por Steve Etts). Apaixonado pelo clube inglês e fã incondicional de Cantona (como todo autêntico torcedor dos Diabos Vermelhos), o protagonista está envolto em uma série de problemas como o divórcio, o convívio conturbado com os enteados adolescentes (um deles se relaciona com gângsteres), a falta de dinheiro, um amor mal resolvido, entre outros.
Temos aí o contraponto em relação ao "clima de fantasia" que se sucederá: misteriosamente, Cantona aparece na vida de Bishop para aconselhá-lo e auxiliá-lo. Loach, mestre em explorar as relações humanas, guia o espectador em uma história que, pela primeira vez, provoca risadas, não lágrimas. Uma mudança de foco na carreira do experiente diretor, porém fiel à habitual profundidade de sua marca autoral.
Uma grata supresa é a atuação de Cantona - melhor do que muitos atores profissionais que atualmente são escalados para papéis de alguma relevância. De acordo com entrevistas recentes do ex-jogador, À Procura de Eric mostra "o sentimento que eu (Cantona) tinha pelos fãs, a maneira como eu os via, a forma como eu recebia energia deles". Mesmo com o distanciamento natural quanto ao verdadeiro Eric Cantona, já que o personagem é a idealização que Eric Bishop faz do ídolo, é necessário ressaltar a naturalidade divertida deste francês de 43 anos.
- O relacionamento com os torcedores na Inglaterra é algo muito especial. (...) No filme, eu sou Eric Cantona dentro da cabeça de Eric Bishop, em sua imaginação. Essa é a maneira como ele me vê. Isso me distancia muito de mim mesmo. (...) Eu trabalhei em outros filmes nos quais pude me esconder atrás de um personagem. Nesse eu precisei ser eu mesmo. Foi estranho. Eu perguntei coisas para o Ken que eu nunca tinha perguntado antes porque nos dias anteriores às filmagens eu não estava à vontade e eu preciso me sentir confortável com o personagem - disse Cantona.Marcadores: 500 dias com ela, criticas, código de conduta, estreias, Fama, festival do rio, jogos mortais VI, ken loach, marc webb, mostra sp, o solista, os fantasmas de scrooge, à procura de eric |