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Almodóvar transita entre gêneros em 'Abraços Partidos'
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| 30 Setembro, 2009 |
É difícil pensar no atual cinema de autor sem recorrer a Pedro Almodóvar. O diretor espanhol, conhecido por explorar a linha tênue entre os gêneros cinematográficos por meio de cores vibrantes, tornou-se uma referência entre aqueles que utilizam a câmera como uma espécie de caneta, no sentido de assinar a obra, tal como os pintores fazem, por exemplo. Em Abraços Partidos ("Los Abrazos Rotos", 2009), seu trabalho mais recente, trazido às telas brasileiras pelo Festival do Rio 2009 em sessão no último sábado, no Estação Leblon I, Almodóvar se reinventa mais uma vez. Com uma abordagem metalinguística, o cineasta transita entre o drama e a comédia, entre romance e tragédia, sem provocar no espectador uma sensação de desconforto perceptivo.
A narrativa de Abraços Partidos se divide basicamente em duas linhas temporais: enquanto acompanhamos a rotina do escritor e roteirista cego Harry Caine (Lluís Homar) – que na verdade se chama Mateo Blanco e que adota o pseudônimo após um acidente trágico há 14 anos –, uma história pregressa é apresentada por meio de flashbacks. Conhecemos, então, Lena, interpretada com maestria pela estonteante Penélope Cruz (Volver). Secretária, sem condições de oferecer assistência médica ao pai cancerígeno, acaba recorrendo à prostituição para ganhar uns trocados a mais.
O pai é abandonado pelo serviço público de saúde e o patrão rico, o economista Ernesto Martel (José Luis Gómez), oferece ajuda, internando-o em uma clínica particular. Mais tarde, Lena e Ernesto se casam e vão morar juntos. A vida conjugal, porém, torna-se torturante para esta jovem ávida por experiências, e que se sente encarcerada em um mundo de luxo e ostentação. Entediada, Lena resolve correr atrás de seu grande sonho, o de ser atriz. Acompanhada por Ernesto Filho (Rubén Ochandiano), o filho gay do economista conservador, ela agenda um teste para o novo filme do então diretor de cinema Mateo Blanco.
A partir daí, desenrola-se uma intensa história de amor entre Mateo e Lena durante as filmagens de “Chicas y Maletas” (uma espécie de remake do clássico Mulheres À Beira de um Ataque de Nervos, do próprio Almodóvar), um "filme dentro de um filme". O romance é acossado pela obsessão inescrupulosa do velho Martel, que faz questão de patrocinar a obra e encarrega o filho de produzir um “making of”, com o intuito de registrar todos os passos de Lena – ele chega a contratar uma especialista em leitura labial e confere diariamente tudo o que fora gravado, o que rende cenas comicamente fantásticas.
Descoberta a traição, sucedem-se vários fatos importantes na construção do argumento romance/tragédia e tragédia/comédia, os quais você pode conferir até o dia 8 de outubro no Festival do Rio. Veja a programação ao fim do post.
Almodóvar consegue explorar todo o potencial de Penélope Cruz ao lhe dar várias facetas, de Marilyn Monroe a Audrey Hepburn (foto), da jovem sensual que encantara o velho conservador à mulher decidida que resolve lutar pelo grande amor de sua vida. Assim, não causa espanto saber que já se fala em Oscar para a atriz espanhola nos bastidores da crítica cinematográfica pelo mundo. A atriz Blanca Portillo (A Agustina de Volver), que encarna a insegura e ciumenta assistente de produção Judit, também merece destaque, assim como o personagem Ernesto Filho, interpretado pelo jovem ator espanhol Rubén Ochandiano. Ambos crescem na medida em que o desfecho se aproxima e estão envolvidos diretamente na principal cena de Abraços Partidos, a que define o fim de Mateo Blanco e o nascimento de Harry Caine.
Merecem menções honrosas outras duas cenas, que levaram 95% do público presente no Estação Leblon I às gargalhadas. Na primeira, Harry Caine incentiva Diego (Tamar Novas), filho de Judit, a escrever o seu próprio roteiro. Este fantasia um universo vampiresco no qual as criaturas trabalham em um banco de sangue. Durante o brainstorming, o jovem acresce uma série de detalhes cômicos à ideia inicial. O segundo ponto alto de humor em Abraços Partidos surge no momento em que Mateo Blanco resolve reeditar “Chicas y Maletas”. Em uma das cenas, Lena, de muletas, ouve praticamente um monólogo da neurótica “Chon” (interpretada pela atriz Carmen Machi), que revela ter achado uma suposta mala com 15 quilos de cocaína no armário, refutando novamente uma das grandes obras da carreira de Almodóvar, Mulheres À Beira de um Ataque de Nervos.
ABRAÇOS PARTIDOS (LOS ABRAZOS ROTOS, ESPANHA, 2009) Direção: Pedro Almodóvar (ESP) Elenco: Lluís Homar, Penélope Cruz, Blanca Portillo, José Luis Gómez, Tamar Novas, Rubén Ochandiano. Roteiro: Pedro Almodóvar. Fotografia: Rodrigo Prieto. Edição: José Salcedo. Distribuição: Sony Pictures, Universal Pictures, United International Pictures e Pathé. Duração: 128 mins. Mostra: Panorama do Cinema Mundial.
Quarta - 30/09 Espaço de Cinema 1: sessões às 16h30 e 23h45.
Quinta - 1/10 Roxy 3: sessões às 14 horas e 19 horas.
Sábado - 3/10 Cinemark Downtown 1: sessões às 16h30 e 21h30.Marcadores: abraços partidos, cinema espanhol, cinema europeu, criticas, especiais, festival do rio, lluís homar, pedro almodóvar, penélope cruz |
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postado por Hanrrikson de Andrade
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30.9.09
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Variety coloca 'Salve Geral' na briga pelo Oscar estrangeiro
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A conceituada revista estadunidense Variety apontou na última semana o filme brasileiro Salve Geral, de Sérgio Rezende, como um dos favoritos à indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Além disso, a publicação fez uma breve retrospectiva dos atentados criminosos de 2006 em São Paulo, tema do filme, e citou o julgamento de Marco Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder da facção crimonosa que age nas cadeias do país.
Segundo a publicação, os principais concorrentes da produção brasileira são os longas I Killed My Mother (Canadá), de Xavier Dolan; The Misfortunates (Bélgica), de Felix van Groeningen; e Here and There (co-produção entre Sérvia, Estados Unidos e Alemanha), de Darko Lungulov. A lista dos selecionados será divulgada em 2 de fevereiro de 2010. O Oscar, evento cinematográfico de maior prestígio no mundo, acontece em 7 de março.
Leia a matéria (em inglês) na íntegra. Salve Geral, orçado em R$ 9 milhões e protagonizado por André Beltrão, entra em cartaz nos cinemas brasileiros nesta sexta-feira (2/10), um dia após o início do julgamento de Marcola.Marcadores: Andréa Beltrão, cinema nacional, especiais, estreias, oscar 2010, Salve Geral, Sérgio Rezende, variety |
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postado por Hanrrikson de Andrade
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30.9.09
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