Sem dar maiores detalhes, a Fars – agência de notícias oficial do Irã – levantou nesta semana a possibilidade de o cineasta iraniano Mohamad Hussein Latifi (The Day Third) fazer um filme sobre ele... Ronaldo! Segundo a publicação, o diretor já teria visitado o Brasil para conversar com o departamento de marketing do Corinthians e apresentar os primeiros esboços do que seria o longa Ronaldo, O Número Nove.
O filme seria, inclusive, a continuidade de Fiel – O Filme (veja o trailer no fim do post), de Andréa Pasquini, documentário que mostra a queda do clube do Parque São Jorge para a Série B do Campeonato Brasileiro e, posteriormente, a ascensão para a elite. Recentemente, entrara em cartaz outro projeto cinematográfico (o primeiro de uma tetralogia, de acordo com Alessandro Giannini, editor do UOL Cinema) desenvolvido pelo clube paulista: 23 anos em sete segundos – O fim do Jejum Corinthiano (trailer no fim do post), de Di Moretti, sobre o título do inesquecível Campeonato Paulista de 1977 após um período de 23 anos sem conquistas.
BRAINSTORM EM RELAÇÃO AO ROTEIRO. Cinebiografar a trajetória de luta e de sucesso do tão exaltado Ronaldo Nazário de Lima, o Ronaldo Fenômeno, não será uma tarefa das mais fáceis – não foi à toa que o renomado Fernando Meirelles, de Cidade de Deus e Ensaio Sobre a Cegueira, desistiu da ideia, em 2004. Afinal, transpor a realidade do futebol (independentemente do objeto) - árdua por essência, como define o histriônico “contador de histórias” e gremista apaixonado Eduardo Bueno - é um exercício de materialização do subjetivo, o que, no meio do processo, tende a fazer com que a obra fílmica perca o seu sentido. Um "risco" que, na mão de diretores que transcendem a genialidade, pode se tornar uma oportunidade. Um exemplo recente é o arrebatador Linha de Passe, de um Walter Salles em plena forma.
Por isso, a melhor opção para roteirizar a “vida e obra” de Ronaldo seria um documentário à la Eduardo Coutinho: partir de um ponto morto sobre a trajetória do jogador, do qual não se tenha conhecimento (nem o próprio diretor), como, por exemplo, a relação de distanciamento geográfico entre ele e o filho, Ronald (que mora com a mãe na Espanha), e rumar em direção à rotina de treinamentos, às preocupações em relação a uma possível instabilidade física decorrente das várias lesões, enfim, em rápidas palavras, humanizar o mito. Como linha paralela à essência investigativa, fazer uma retrospectiva com os principais acontecimentos (títulos, lesões, polêmicas etc) desde o início da carreira, porém sob os olhos do próprio Ronaldo, por meio de entrevistas singulares, utilizando Ronaldo como narrador de seu próprio legado.
Enfim, colocar-se na função do investigador que nada sabe sobre Ronaldo, Corinthians e futebol brasileiro – o esporte como elemento sociocultural, enraizado no âmago de uma nação de dimensões continentais. Além disso, seria importante resgatar personagens importantes no processo de mitificação – familiares, pessoas ligadas ao São Cristóvão (clube em que Ronaldo iniciou a carreira), ex-treinadores e companheiros dessa mesma época, pessoas de Bento Ribeiro (bairro em que ele foi criado), enfim, explorar um mote ainda obscuro sobre a vida do Fenômeno em vez de, mais uma vez, exaltá-lo.
No final, destaque para a sua chegada triunfal ao Corinthians: a transição do jogador, desportista, para a marca Ronaldo, capaz de arregimentar inúmeros patrocinadores e investidores. No âmbito esportivo, contextualizar a sua adaptação e, posteriormente, o status de liderança frente ao elenco corintiano, já projetando o quão decisivo fora para a conquista do Campeonato Paulista deste ano, sendo eleito em seguida o melhor jogador da competição – neste sentido, vale se inspirar no ótimo documentário de Spike Lee sobre Kobe Bryant, Kobe Doin’ Work, produzido especialmente para a ESPN (veja um trecho no vídeo abaixo).
E você, qual direcionamento daria a uma cinebiografia de um ídolo como Ronaldo? O que não poderia faltar neste trabalho? Deixe um comentário com a sua opinião.