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 '2012' puxa a lista de estreias da semana - 13/11/2009
12 Novembro, 2009
Com Independence Day (1996) e O Dia Depois de Amanhã (2004), o alemão Roland Emmerich fez dos filmes-catástrofe a sua marca registrada. Em 2012, longa que entra em cartaz nos cinemas brasileiros nesta sexta-feira, 13 de novembro, o diretor apresenta a sua obra mais madura (e mais cara: US$ 260 milhões) no que se refere a esse subgênero. Como não poderia ser diferente, incríveis efeitos especiais são o carro-chefe na investida comercial de entretenimento tipicamente hollywoodiano.

Entretanto, há alguma profundidade narrativa nesta versão mitológica do tão temido - e ao mesmo tempo fascinante - "fim dos tempos". Com livre inspiração em uma profecia Maia, que antevê o tal desfecho apocalíptico para a Terra no dia 21 de dezembro de 2012, Emmerich mira na angústia (tensão, espanto) e no drama (comoção) ao fazer uso de dois núcleos dramáticos, que envolvem paralelamentte o alto escalão do governo estadunidense e um simples motorista de limousine e sua família.

Outros filmes que entram em cartaz nesta sexta (13): Aconteceu em Woodstock, de Ang Lee, longa que abriu o Festival do Rio deste ano; a animação De Profundis, de Miguelanxo Prado; o ótimo Hotel Atlântico, de Suzana Amaral; a comédia argentina Um namorado para minha esposa, de Juan Taraturo; o drama No meu lugar, do carioca Eduardo Valente; e o decepcionante TOKYO!, também exibido no Festival do Rio, com o trio Leos Carax, Michel Gondry e Bong Joon-ho na direção. Confira os trailers no post seguinte.

No âmbito da pseudociência, o tal fenômeno de 2012 diz respeito ao fim do Calendário de Contagem Longa Mesoamericano, que possui ciclos de 5.125 anos. Na verdade, a profecia não antevê necessariamente o término da existência e sim um processo de renovação, de transição física ou espiritual, de acordo com o conjunto de conceitos da Nova Era. No filme, o dia 21 de dezembro marca um alinhamento cósmico que desencadeia uma série de eventos catastróficos, tais como furacões e maremotos. Para os brasileiros, o destaque especial (e uma bela sacada de marketing) fica por conta da destruição total do Cristo Redentor, símbolo histórico da cidade do Rio de Janeiro. No entanto, não vale a pena se empolgar: a cena é rápida e feita com certa negligência. Uma pena ter se limitado à condição de marketing regional.


O primeiro núcleo é centralizado na figura do presidente norte-americano, intepretado pelo sempre eficiente Danny Glover (uma versão "emmerichiana" de Barack Obama). Ele e seus cientistas, que já sabem do eminente apocalipse, são os responsáveis por salvar a população mundial. Curiosamente, em um toque de humor negro de Emmerich, as arcas utilizadas para encontrar refúgio são construídas pelos chineses. Já o "lado humano" tem um velho clichê: o motorista de limousine, que já tentara a vida como escritor, Jackson Curtis (personagem de John "Rob Gordon" Cusack), ex-marido de Kate (Amanda Peet), precisa se esforçar para melhorar a relação com os dois filhos, Noah (Liam James) e Lily (Morgan Lilly). E o fim do mundo resolve acontecer justamente quando o pai tem a chance de acampar com as crianças no parque nacional Yellowstone, um dos alvos da "fúria da natureza".

Quem rouba a cena no filme, porém, é Woody Harrelson. Com desenvoltura, ele encarna o tradicional profeta desacreditado, tipo de personagem indispensável para qualquer thriller apocalíptico.

Independentemente das crenças e convicções de qualquer espectador, 2012 deve ser visto apenas como uma avassaladora experiência visual, pois não há fiel comprometimento em relação à "verossimilhança". Portanto, não vá ao cinema com a vã ilusão de adquirir conhecimento sobre a profecia Maia. Preocupe-se apenas em relaxar e fazer cara de espanto ante às grandes tragédias, furacões, maremotos, fissuras tectônicas, e - o que é o mais legal em um filme-catástrofe - imaginar como seria se você estivesse no meio de todo o caos.

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    Bookmark and Share   postado por Hanrrikson de Andrade @ 12.11.09  

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