HOME  |  ASSINE O MAILING  |  CONTATO  |  RSS  |  FEED XML
        UM BLOG DO AFORISMO.NET
PAINEL
..HOME
..CRÍTICAS
..ESTREIAS
..ESPECIAIS
..PODCAST
..VÍDEOS
..ARTIGOS
..TRAILERS
..RSS
+AFORISMO
O QUE É?
CONHEÇA O AFORISMO.NET
ANÁLISES E COMENTÁRIOS
+WEB
..ORKUT
..TWITTER
..GREADER
..GBUZZ
..LAST.FM
..WIKINOTÍCIAS
..WIKIPÉDIA
..MINHA NOTÍCIA
..BLIP.FM
..MY SPACE
..MOVIEMOBZ
..DELICIOUS
..FACEBOOK
..FLICKR
..DIGG
..BLOGBLOGS
..TECHNORATI
CONTATO
..EMAIL
..MSN
..GTALK
..SKYPE
NO FLICKR
.....www.flickr.com/hanrrikson
Itens de hanrrikson Clique para visitar a galeria de Hanrrikson
BUSCA NO SITE
RECENTES
ARQUIVO


 Tarantino promove a vingança judia em 'Bastardos Inglórios'
16 Outubro, 2009
Explorar a estética da violência com doses homeopáticas de sarcasmo e um punhado de referências cinematográficas, fundindo gêneros e estilos em uma só obra. Nada disso é novidade quando falamos de Quentin Tarantino, um dos queridinhos da cultura pop, que influenciou toda uma geração com o clássico Pulp Fiction - Tempo de Violência (1994). Em seu novo trabalho, Bastardos Inglórios, que estreou na última sexta-feira (9) após sessões completamente lotadas no Festival do Rio, o ousado diretor vai além: reinventa o cenário da Segunda Guerra Mundial com uma narrativa ficcional centrada em um grupo de guerrilha formado por judeus impiedosos, sedentos por vingança, enfim, algo jamais pensado. Sob a liderança do tenente Aldo Reine – personagem esplendoroso de um Brad Pitt nunca antes visto –, os “justiceiros” torturam e metralham os inimigos, um a um. Arrancam-lhe os escalpos, mas sem perder a esportiva: cada morte é um espetáculo a parte, uma sessão sanguinolenta de entretenimento.

LEIA TAMBÉM: Fernando Meirelles revela detalhes de seu próximo filme
LEIA TAMBÉM: À Deriva representa o Brasil no London Film Festival
LEIA TAMBÉM: Festival de Cinema de Porto Alegre tem início neste sábado
LEIA TAMBÉM: CRÍTICA: B. Schianberg coloca o homem como objeto de estudo

A trilha sonora, a já “tarantinesca” fonte dos créditos iniciais e a abertura do filme evidenciam a inspiração no western spaghetti de Sergio Leone (Era uma vez na América). Pouco depois, podemos observar – em especial a cena na qual “Emanuelle Mimieux” (nome fictício adotado pela judia Shosanna) é abordada pelo soldado-ator Fredrick Zoller (Daniel Brühl) – referências estéticas à obra de François Truffaut e Jean Luc-Godard, dois dos principais cineastas da Nouvelle Vague. Os próprios nomes dos personagens são homenagens à Sétima Arte: Aldo Reine (obviamente inspirado no ator Aldo Ray), Ed Fenech (Edwige Fenech, famosa atriz da comédia erótica italiana), Hugo Stiglitz (ator de Os Sobreviventes dos Andes, de 1976). Na personagem Bridget Von Hammersmark (Diane Kruger), nota-se um velho dilema típico dos clássicos hollywoodianos: o da vida dupla, isto é, do agente infiltrado que permeia entre o bem e o mau em uma onda crescente de suspense, sempre a um passo do flagrante. Em suma: Tarantino é um prato cheio para qualquer cinéfilo que se preze.



A narrativa se dá em cinco capítulos, todos muito bem amarrados em torno de fatos que evidenciam gradativamente o caráter inverossímil da obra, com narrações aleatórias de Samuel L. Jackson e Harvey Keitel. O “núcleo judeu” tem duas linhas paralelas, os “Bastardos” e a relação entre a jovem Shosanna (Mélanie Laurent) – única sobrevivente de uma família de judeus pela trupe do coronel Hans Landa (Christoph Waltz), cujo apelido é “O Caçador de Judeus” – e o herói de guerra/ator alemão Fredrick Zoller. Logo na primeira cena do filme, Waltz, encarregado de matar todos os judeus que se passam por gentios na França, faz uma visita ao fazendeiro Perrier LaPadite (Dennis Menochet), que esconde a família de Shosanna, os Dreyfus, sob o assoalho.

O fazendeiro é amedrontado pela fascinante retórica de Waltz (digna de um psicopata clássico: fala serena e bem articulada) e acaba abrindo o jogo. O diálogo é longo, mas não cansa os olhos em função da perspicaz escolha de palavras de Landa. Os Dreyfus (mais uma referência, dessa vez a um fato histórico: o escândalo político envolvendo Alfred Dreyfus) são então metralhados (a câmera mostra apenas as perfurações no assoalho), mas Shosanna sobrevive. Ela consegue sair por um buraco e foge com o vestido sujo de sangue, lágrimas nos olhos e desespero retido. Depois disso, só a veremos no capítulo 3, com o nome falso de Emanuelle Mimieux. Administradora de um cinema – herança da tia que lhe acolheu em Paris –, ela vê sua vida tomar um rumo perigoso depois que Zoller, o soldado-ator, passa a lhe cortejar.

Enquanto isso, no outro núcleo, os nazistas sofrem nas mãos de Aldo Reine e seus bastardos. Seja com uma metralhadora ou um taco de baseball, esse é o primeiro ponto forte do filme: a reinvenção de fatos históricos com o velho toque tarantinesco de hiperviolência, dosado inteligente com o habitual sarcasmo do diretor. Brad Pitt é um espetáculo a parte com seu estereótipo “caipira americano”, o sotaque sulista, a boca torta de um mafioso. Destaque também para o ator (e diretor) Eli Roth, que encarna o sargento Donny Donowitz, também conhecido como “Urso Judeu” por matar nazistas com golpes de taco de baseball na cabeça. Vale citar, a título de curiosidade, a aparição relâmpago de Mike Myers na pele do general Ed Fenech, em uma caracterização totalmente diferente do eterno Austin Powers.

Mas quem rouba a cena mesmo é o ator Christoph Waltz (laureado em Cannes com o prêmio de Melhor Ator), que interpreta o tão comentado coronel Hans Landa, um dos homens de confiança de Hitler (vale a menção: impossível não gargalhar com a cena em que o Führer, atônito com o sucesso dos Bastardos, tem uma reação histérica) e de seu braço direito, Goebbels. Se, por um lado, os figurões do alto escalão nazista são caricaturados de forma pejorativa, Landa é a compensação: equilibrado, extremamente racional, calculista e perspicaz. O personagem, por si só, já é grandioso com a cuidadosa escolha de palavras do Tarantino roteirista. Mas seria injusto não atribuir os devidos méritos a Waltz, que merecia uma crítica só para ele.

Há quem considere a lentidão narrativa de Bastardos Inglórios o seu ponto fraco. De fato, há exageros visíveis, algumas cenas são redundantes e diálogos um pouco mais curtos talvez fossem recomendáveis para cenas de dramaticidade duvidosa, como o confronto na taberna, do qual a única sobrevivente é Bridget Von Hammersmark. Mas tais pontos negativos fazem parte de uma identidade maior, trabalhada por Tarantino com paixão e respeito à Sétima Arte, e que o lhe garante uma singularidade rara nos dias de hoje. Só nos resta aplaudir.

Marcadores: , , , , , , , ,

    Bookmark and Share   postado por Hanrrikson de Andrade @ 16.10.09  

    0 Comentários:

    Postar um comentário

    << Voltar para a página principal
    NO TWITTER
    +NOTÍCIAS
    BLOG'N'ROLL
    LINKS

    .