VERGONHA ALHEIA. Veneza não teve paciência com Inju, La Bête dans L'Ombre, do diretor iraniano Barbet Schroeder (o mesmo de O Reverso da Fortuna e o Advogado do Terror). O filme, inspirado pela obra de Edogawa Rampo, foi vaiado pelos jornalistas que cobrem o festival. Além do apupo e da insatisfação em relação à obra, Schroeder ainda teve que lidar com a indiferença dos jornalistas – quase todas as perguntas na coletiva de imprensa foram feitas pela própria mediadora do debate. A trama – sobre a rivalidade de dois escritores de romances policiais – foi classificada pelos críticos como “desconexa” e “cafona”. O elenco conta com Benoît Magimel e Lika Minamoto.
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GLAMOUR NAS TELAS. A obsessão por boas idéias, às vezes, culmina na perda do senso do ridículo. O jornalista e diretor Matt Tyrnauer, da revista "Vanity Fair", achou que a vida do costureiro italiano Valentino, de 75 anos, um dos estilistas mais influentes da história da moda e ícone da capacidade de extravagância do ser humano, daria uma boa história. Então pegou sua câmera e, durante dois anos, freqüentou as mansões, escritórios, desfiles e festas de arromba do costureiro. O resultado pode ser conferido em Valentino - The Last Emperor (Valentino - O Último Imperador), um dos “destaques” do Festival de Veneza. Afinal, se até Frank Aguiar já ganhou cinebiografia, por que não Valentino...?
ISSO SIM É BALADA. A estréia de Valentino - The Last Emperor em Veneza aumentou consideravelmente o fluxo de mulheres bonitas no festival de cinema. O estilista italiano convidou um grupo seleto de modelos, entre as quais Eva Herzigova, que nesta quinta-feira desfilaram pelo tapete vermelho em frente ao Palazzo del Cinema. Nesta terça-feira, o filme será exibido novamente, desta vez no Teatro La Fenice, e depois festejado uma grande festa no museu Collezione Peggy Guggenheim, no Grande Canal. Oito entre dez modelos são solteiras. Acho que nem preciso falar se a festa vai ou não bombar.
ONDE ESTARÁ HOLLYWOOD? Nos últimos três anos, o Leão de Ouro foi conquistado por asiáticos. Em 2008, três produções japonesas, incluindo Ponyo on the Cliff by the Sea, do diretor de animação Hayao Miyazaki, e Akires to Kame, de Takeshi Kitano, estão na briga para manter essa hegemonia. À exceção da abertura do festival, na qual as grandes estrelas foram Brad Pitt, George Clooney e os irmãos Coen, Hollywood está relegado para segundo plano no Festival de Veneza – ainda assim, vale a pena lembrar que o novo trabalho de Joel e Ethan Coen, Queime Antes de Ler (veja o trailer abaixo; o da direita), não faz parte da competição oficial. Os representantes de Hollywood são Rachel Getting Married (veja o trailer abaixo; o da esquerda), dirigido por Jonathan Demme, The Hurt Locker, de Kathryn Bigelow, e The Wrestler, do excelente Darren Aronofsky (Pi, Réquiem para um sonho e Fonte da Vida). Segundo os organizadores do festival, o papel coadjuvante de Hollywood na edição deste ano está parcialmente ligado à greve dos roteiristas, que durou 14 meses e terminou em fevereiro. Já o crítico americano Adam Dawtrey, da revista "Variety", argumenta que a entrada dos filmes de Hollywood no mercado europeu é muito cara e por isso não vale a pena fazer esse tipo de investimento. Segundo ele, Veneza está particularmente vulnerável, devido aos custos exorbitantes e da proximidade dos festivais de Toronto e Roma.
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AHHHH, ITÁLIA...!Un giorno perfetto, do turco naturalizado italiano Ferzan Ozpetek; Il papá di Giovanna, de Pupi Avati; Birdwatchers, de Marco Bechis; e Il seme della discórdia, de Pappi Corsicato. Esses são as quatro produções italianas que concorrem ao Leão de Ouro. Em 2007, o país foi apontado como a principal decepção em Veneza, afinal, três filmes constavam na seleção oficial e nenhum prêmio foi conquistado. A Itália conta ainda com o longa-metragem Yuppi Du, estrelado e dirigido pelo lendário ator e cantor Adriano Calentano. A obra precede o lançamento em DVD e será exibida em versão restaurada.
TERROR TRASH EM VENEZA. Um dos representantes brasileiros em Veneza é o folclórico José Mojica Marins, de 72 anos, e o seu novo trabalho, Encarnação do Demônio (o qual eu vi no início desse mês e não achei grande coisa). O filme, que encerra a trilogia de um personagem sumamente popular, Zé do Caixão, empolgou o público nesta sexta-feira, em exibição fora da mostra competitiva. Os filmes anteriores foram À Meia-noite Levarei sua Alma, em 1964, e Esta Noite Encarnarei no teu Cadáver, em 1967. Além da obra de José Mojica Marins, representam o Brasil em Veneza o curta Do Visível ao Invisível, produzido por Renata de Almeida e Leon Cakoff, e o casal Julio Bressane e Rosa Dias, que dirigem o longa-metragem Erva de Rato; além de Plastic City, cujo roteiro é assinado pelos brasileiros Fernando Bonassi e Luiz Bolognesi.
O SARCASMO DE KITANO. O japonês Takeshi Kitano, conhecido por Hana-Bi e pelas histórias da Yakuza – Brother - A Máfia Japonesa em Los Angeles – apresentou o seu mais recente trabalho: Akires to Kame (Aquiles e a Tartaruga). É um dos favoritos ao Leão de Ouro, assim como Jerichow, do inglês Christian Petzold. Em Akires to Kame, o qual encerra uma trilogia de filmes sobre o universo das artes, Kitano levanta questões fundamentais de o que é de fato a arte e se ela possui algum valor além do significado que tem para seu criador. Os filmes anteriores foram Takeshis, em 2005, e Kantoku-Banzai, em 2007.
SEM RESSENTIMENTO. O roteirista e diretor mexicano Guillermo Arriaga preferiu não alimentar a polêmica de seu desentendimento com o diretor compatriota Alejandro González Iñarritu (de Amores Perros, 21 Gramas, Babel, entre outros). Ele se limitou a dizer “Fizemos ótimos trabalhos juntos” ao ser questionado sobre o entrevero. E completou: "Isso teve um tempo e agora cada um segue seu caminho". Arriaga e Iñarritu trabalharam juntos em três filmes, inclusive Babel (2007), indicado ao Oscar de melhor filme. O seu primeiro filme como diretor, The Burning Plain, estrelado por Charlize Theron e com Kim Basinger e o ator português Joaquim de Almeida no elenco, foi exibido na manhã desta sexta-feira e agradou aos jornalistas. Na coletiva de imprensa, Arriaga disse que a estréia como diretor foi a maior realização de sua carreira. "Eu adorei cada momento deste trabalho. Posso dizer que foi o momento mais feliz da minha vida profissional, chegava ao set sorrindo todos os dias", disse.